segunda-feira, 8 de dezembro de 2014

A despedida do futebol


PC VASCONCELLOS

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por PC Vasconcellos

Olá,

  A exatos catorze dias do início do verão, o futebol brasileiro encerrou sua temporada. Poderia ter uma prorrogação, mas a eliminação do São Paulo nas semifinais da Copa-Sul Americana tirou de cena todos os times do país. Termina o futebol no ano da graça de 2014 e fico com a impressão, tal e qual em outros setores da nossa sociedade, que jogaremos fora a oportunidade de refletir sobre o que aconteceu e o que poderia ser feito. Os 7 a 1 que levaremos no puçá de 2014 não tiveram nenhum efeito para uma discussão mais ampla sobre as razões daquela fatídica tarde no Mineirão.

    Preferimos, tal e qual em outros setores da nossa sociedade, atribuir o resultado a apenas uma fatalidade. E ponto. Não se consegue estabelecer uma troca de idéias sobre o tema. Perdemos o hábito de discutir. Entendemos que criticar é ofender ou desqualificar. Não necessariamente nesta ordem, mas a “ponte aérea” será sempre esta. É uma pena, pois o diálogo de surdos que praticamos em nada nos ajuda. Criamos uma divisão entre o bloco dos que estão sempre certos e o bloco dos que estão sempre errados. E quando queremos encerrar a discussão, nós empregamos uma palavra que fecha o caminho para a reflexão: arrogância. Técnicos, dirigentes, jogadores e todos os que gravitam em torno do futebol são acusados de arrogantes e com isso.......

     Gostaria muito que fosse o contrário, mas na imprensa, por exemplo, também há muito de arrogância. Só que existe uma enorme dificuldade em assumirmos nossa arrogância. Ela está sempre nos outros. Jamais conosco. E aí a possibilidade estabelecer um diálogo, a extinta troca de idéias e, pelo visto, a reflexão ficam em segundo plano. Bem que os próximos dias, entre um selfie e outro, todos poderiam pensar a respeito. Tem gente interessada em cultivar o diálogo e em alimentar a troca de idéias, mas, tal e qual em outros setores da nossa sociedade, prefere o silêncio.

     Mano e Dunga

Dunga Brasil x Austria      A temporada se encerra e, por ora, o Mano Menezes começará o ano de 2015 sem lugar para dar expediente à beira do campo. Na entrevista de sábado, após a vitória do Corinthians sobre o Criciuma, quem se deu ao trabalho de ouvir pode perceber o quanto sua presença, concorde você com seus conceitos ou não, faz falta ao futebol. É um profissional sério, dedicado e, me parece, já sem muita paciência para o ambiente mesquinho, que volta e meia se respira no futebol.

      Na entrevista aos repórteres Carlos Eduardo Mansur e Maurício Fonseca, publicada pelo jornal O Globo, no último domingo, o técnico Dunga diz coisas que provocam reflexão e estimulam o debate. Pena que nem sempre estejam dispostos a prestar atenção no que diz o Dunga. Não é um caso particular. Cria-se uma idéia sobre o sujeito e, a partir daí, o que ele diz pouco importa. Prevalecem os conceitos estabelecidos para qualquer coisa que diga o cidadão. Claro que a “faca na bota” que o Dunga volta e meia usa contribui para isso. Mas quem se der ao trabalho de colocar as idéias estabelecidas no fundo de um armário, verá que muito do dito por ele faz sentido.

Abraços e boa semana

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